Feira do Montado
A MICOFLORA esteve presente, por ocasião da Feira do Montado, nas “IV Jornadas Ibéricas do Montado” e no seminário “Princípios de Gestão Sustentável do Montado” realizadas dia 29 de Novembro e 30 de Novembro, respectivamente.
No dia 29 foram discutidos vários temas relacionados com o montado, com apresentações por parte do Grupo Amorim, que abordou o tema da sustentabilidade da fileira da cortiça, seguido de um ponto de vista do proprietário florestal, com uma intervenção por parte do Eng. Miguel Teles Branco que falou da viabilidade económica do montado.
Em representação da IPROCOR falou D. Miguel Elena Rossela sobre a normalização e certificação no âmbito da qualidade corticeira, nomeadamente sobre o sistema de certificação SUBERCODE em comparação com outros sistemas como o FSC. Seguiu-se um período de debate com algumas intervenções dos membros da plateia, umas mais negativas do que outras mas traçando uma ideia geral pouco animadora sobre a situação actual do montado.
Após o almoço foi feita uma apresentação por parte do Eng. João Dias Pinto Ribeiro (DGRF/CFS) onde foi explicada a importância dos PGF (Planos de Gestão Florestal) para o ordenamento da floresta. Com esta apresentação foi também explicado, de um modo geral, o que deve constar de um destes planos, nomeadamente em termos de cartografia, dados e planeamento.
De seguida o Eng. Ramon Santiago da IPROCOR falou da importância estratégica da cortiça no âmbito do montado, ao que se seguiu uma apresentação por parte do Gabinete de Planeamento e Politicas do Ministério da Agricultura, onde foram reveladas algumas das medidas relacionadas com a floresta, presentes no novo quadro comunitário, sem, contudo, apontar uma data de saída para o mesmo.
No dia 30, teve lugar a apresentação de um estudo sobre a mortalidade do sobreiro no Alentejo e Algarve, realizado pela Universidade de Évora/ICAM. O Doutor Peter Survoy começou por falar da metodologia de identificação de sobreiros em fotografia aérea digital, seguido pelo professor Nuno Ribeiro que apresentou os resultados do inventário de sobreiros mortos a sul do Tejo. Na sequencia destes resultados a professora Mª do Rosário Oliveira falou sobre o enraizamento de árvores provenientes de sementeira e transplantação ao que se seguiu o professor Alfredo Gonçalves Silva, com uma análise das causas responsáveis pela mortalidade do montado. Esta análise aponta como razões mais frequentes do insucesso do sobreiro, a mecanização excessiva dos solos e outros factores limitantes como a pouca profundidade dos perfis edaficos e noutros casos o stress hídrico.
Da parte da tarde, no primeiro painel, falou-se da regeneração e valorização da paisagem do montado. O professor João Santos Pereira (ISA) falou sobre a regeneração, explicando que esta dependente de diversos factores cuja combinação permite o sucesso mas a ausência de um deles pode conduzir ao fracasso (falta de água, falta de sombra, etc). De seguida, foi apresentado pela professora Teresa Pinto Correia da Universidade de Évora, um estudo sobre a maneira como os diferentes grupos da sociedade valorizam o montado.
O segundo painel da tarde contou com uma análise económica realista de alternativas sustentáveis de gestão do montado de sobro, feito pelo Professor António Cipriano Pinheiro (Universidade de Évora) ao que se seguiu uma sessão de debate e, para finalizar o seminário foi apresentada a publicação “Plano estratégico para recolha de informação sobre o estado sanitário das florestas em Portugal Continental e respectivo manual de campo”, publicada pela DGRF e apresentada pelo professor Edmundo Sousa.


